(ou *desculpas antecipadas pela fusão de antropologia, budismo, botox e gerenciamento de ciclo de vida*)
Pra toda mulher chega um dia onde nos deparamos com a questão a respeito de como queremos envelhecer. Queremos levar a coisa graciosamente e deixar as ruguinhas e gordurinhas contarem histórias ou vamos intervir bravamente e mostrar 10, quem sabe 15 anos a menos com investimento de esforço e dinheiro??? Ou ainda um terceiro cenário, que tal nos reinventarmos e acharmos uma beleza natural que de repente estava escondida entre chefe(s), filho(s) e marido(s)???
Esta é, senhores, a questão central do gerenciamento do ciclo de vida de um produto ou marca. No começo, tudo são flores, descoberta, você investe e a marca responde. E cresce e se expande, novas extensões de linha, aquela festa. Mas de repente, parece que a marca está cansada, não é a mais a mesma, o que fazer?
A primeira roda do Dharma, um importante ensinamento de Buda, mostra a impermanência - nada se mantêm, tudo muda. Mudam as estações, muda nosso corpo, mudam as marcas. É claro que existem marcas quase centenárias, que ainda estão aí (eu tive a honra de gerenciar duas, primeiro o sabonete Phebo em 1993 e depois o Vick Vaporub em 2000), mas uma marca-jovem e uma marca-madura não devem ser tratadas da mesma maneira.
Patrimônio, aquilo que a marca é, tanto no sentido de equity, quanto no sentido de heritage, para uma marca madura, tem que ser gerenciado com cuidado extra. Sabe aquele excesso de plásticas que faz a atriz ficar irreconhecível? Exageros como estes podem ocorrer em uma época onde tudo pede frescor, atitude, juventude. Também pode acontecer o abandono, ou milking. Não se investe na manutenção adequada da marca e ela fica desatualizada, vivendo das fotos emolduradas na parede da presidência. Nem botox, nem caída. Há um meio termo.
Como nada permanece, a cada momento a marca tem que estar observando o ambiente e corajosamente ajustando o marketing mix para os novos tempos. É possível amadurecer e manter o que é bom, ainda que mudando algumas coisas. A arte do manter mudando, isso é gerenciamento de ciclo de vida. Ás vezes, o mito da marca na empresa (como ela surgiu, de onde veio, o que já foi) engessa o gerente de Marca que não vê as mudanças de cenário a tempo. Se você perde o timing da mudança, nem tudo está perdido, mas como na vida, leva mais tempo (e compromisso) para o novo cenário se estabelecer. Familiar com isso, não?
É importante também o momento de deixar ir… Às vezes para aquela marca acabou… E é tempo de uma nova. E saber gerenciar esse fim (para os pessimistas) ou interrupção (para os mais otimistas) faz parte da arte.
Preço, investimento, tamanho de embalagem, tudo muda, de acordo com a etapa em que está a marca (Nossa, que Kotler isso, não, só falta colocar um gráfico). Cabe ao Gerente da marca a disciplina de manter o patrimônio a pulso firme enquanto veleja de acordo com os ventos da categoria. Tensão e relaxamento no mesmo corpo. E ser um bom guia para ajudar a marca a se renovar ou envelhecer graciosamente, dentro de sua personalidade. Às vezes, mais madura, a marca traz surpresas e cresce em dígitos duplos…Reinventada.
Que viagem… Hehehehe.